• Licença para matar!

    by  • 30 de January de 2016 • AGENDA • 0 Comments

    A impunidade corre solta no trânsito brasileiro e em alta velocidade. Pior ainda, muitos criminosos ficam achando que a imprensa os condena prematuramente. Que o direito de defesa significa faltar com a verdade, omitir informações, criar versões inverossímeis e fantasiosas, manobrar para prejudicar o andamento das investigações e/ou das ações cíveis e criminais. Não bastasse essas imoralidades, o Código Penal oferece tantas brechas que acaba beneficiando o infrator. 

    Como se pode admitir que um suposto motorista execute as maiores barbaridades e, no melhor dos casos, seja indiciado apenas por homicídio culposo?

    Como é que se tolera alguém capaz de provocar a morte de outra pessoa após cometer infrações gravíssimas como, por exemplo, invadir a contramão, seja bêbado ou em sã consciência e simplesmente, fique sem punição exemplar. Isto é: condenação de no mínimo 10 anos de cadeia em regime fechado.

    A sensação é de estarmos imersos numa (des)organização social que acabou invertendo os valores mais elementares do convívio em comunidade, não cumprindo sua missão cidadã e civilizadora para, assim, tornar-se cúmplice dos criminosos.

    Após sete anos, repetimos: sete anos, foi mais uma vez adiado o Juri Popular que julgará o ex deputado estadual do Paraná Luis Fernando Ribas Carli Filho acusado de duplo homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de produzir o resultado.

    O ex-deputado embriagado e circulando depois da meia noite entre 167 km/h e 172 km/h.segundo a perícia oficial, matou dois jovens, Gilmar Rafael Souza Yared e Carlos Murilo de Almeida. Nos perguntamos se não se trata de uma infâmia e uma ofensa contra a sociedade a argumentação da defesa que alega a culpabilidade das vítimas por não terem respeitado uma via preferencial.

    Recentemente o procurador de Justiça do Ministério Público do Paraná Rodrigo Chemim Guimarães afirmou que prevê o possível fim do processo para o ano de 2026.

    Talvez George Orwell poderia escrever do além esta ficção brasileira.

    Curiosamente, o caso Carli Filho é uma exceção.

    A maioria dos crimes de trânsito com vítimas fatais são tratados como homicídio culposo, com pena de dois a quatro anos de prisão, substituíveis por prestação de serviços à comunidade e doação de cestas básicas.

    O país que tem em vigência um Estatuto do Desarmamento sancionado em 2003 pela Lei 10.826 esqueceu de inserir no seu texto a carteira de habilitação já que sob a proteção do conjunto das leis penais, a licença para conduzir acabou se transformando em licença para matar.

     


    Em 30/01/2014, há exatos 2 anos, o professor Matias Gurbanov trafegava com sua moto pela Avenida Giovanni Gronchi sentido bairro centro.
    Faltavam poucos minutos para as 21:30 horas e poucos metros para chegar na festa de aniversário da sua mãe quando um motorista dirigindo uma camionete de 1.800 kg invadiu a pista contrária, fez uma conversão proibida à esquerda e colidiu de frente com a moto provocando a morte instantânea do jovem professor de 26 anos de idade. Matias que morreu no dia do aniversário da mãe, foi enterrado no dia do aniversário do irmão. Uma morte que, como tantas outras, poderia e deveria ser evitada!

    A história de Matias é mais uma entre tantas outras que acontecem todos os dias, quem fica encarcerado na dor são os familiares e amigos.

    Não Foi Acidente, Foi Crime!

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    Pedagoga Especializada em Surdez e Psicoeducadora especializada em Teoria, Pesquisa e Intervenção em Luto.

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