• Nota de Repúdio ao Programa “Câmera Record” de 16/07/2014

    by  • 18 de July de 2014 • AGENDA • 0 Comments

    O Movimento Não Foi Acidente vem perante a população brasileira apresentar seu REPÚDIO à forma como a o Programa “Câmera Record” da TV Record exibido na noite de 16 de julho de 2014, tema: “Qual era a profissão das celebridades antes da fama”, abordou o crime de trânsito que vitimou  Luís Antônio Nunes Aceto (35) e Eveline Moreti Soares (31) em 20 de agosto de 2001, quando o Sr.  Ivair dos Reis Gonçalves, dirigindo um carro BMW, vinha em sentido contrário, em altíssima velocidade, 160 km por hora,   atravessou a pista e colidiu contra a motocicleta em que estava o casal. O motorista do carro foi condenado por duplo homicídio culposo. O motorista que matou o casal é o conhecido cantor Renner da dupla “Rick e Renner”.

    Da mesma forma que a Rede Record em seus programas já entrevistou os familiares de vítimas da violência viária mostrando a sua dor, bem como, a impunidade nos casos de crimes de trânsito, os cidadãos brasileiros merecem que esse comportamento seja mantido. Os familiares de vítimas da violência viária têm o direito de exigir respeito e dignidade na não veiculação de imagens de seus entes queridos mortos e, nesta reportagem o corpo de Luís foi exibido dentro de um saco plástico, imagem desnecessária!

    Quase três anos de esforço e luta se passaram desde a criação do Movimento Não Foi Acidente e queremos que a violência viária recorrente dos crimes de trânsito não seja mais tratada como meros acidentes. Dirigir em velocidade acima da permitida e matar duas pessoas não é acidente, é crime!

    No entanto, o que vimos neste programa leva os familiares das vítimas a sofrer mais dor do que já vem sentindo nos últimos 12 anos e 1 mês.

    Sabemos que é direito de qualquer cidadão ir a televisão e dar a sua versão dos fatos,  mas também é obrigação de todo profissional e programa jornalístico no comportamento sob a ética zelar pela verdade.

    Perguntamos: Dirigir a 160 km por hora e matar duas pessoas é acidente?

    E se Renner vive “o agora”, como disse na entrevista, a família de Luís e Eveline ainda vive em luto.

    E se Renner afirma que “todos nós estamos expostos a coisas assim”, afirmamos que, a dirigir em velocidade acima da permitida é assumir o risco de matar.

    E se para Renner foi um “fato inusitado para toda a sua vida”, como ficou a família de Luís e Eveline?

    E quando Rick afirma que “a pancada foi forte para a dupla”, perguntamos, e para as vítimas? A mãe de Luís sequer o pode vestir, somente pode beijar a sua testa. A única parte do corpo de seu filho que não ficou dilacerada com o choque.

    Que os fãs de Renner saibam, ele foi o único responsável por estar dirigindo a 160 km por hora, perder a direção de seu carro e matar duas pessoas. Não chovia, na verdade era um dia de sol, o dia que se tornou noite na vida dos familiares de Luís e Eveline, uma escuridão que ainda permanece.

    Assim, em face do ocorrido, pedimos que em nome dos familiares de vítimas de trânsito, a mídia tenha mais cuidado ao expor a imagem de uma vítima morta, fazendo do presente REPÚDIO uma homenagem às vítimas da violência viária que tiveram os seus sonhos interrompidos pelo egoísmo de outrem, bem como, em homenagem a todos os familiares de vítimas de trânsito que, com zelo, ética, dedicação e respeito, têm buscado um país mais justo e com menos mortes devido a direção irresponsável.

     

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    Pedagoga Especializada em Surdez e Psicoeducadora especializada em Teoria, Pesquisa e Intervenção em Luto.

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