• O legado de Bruna e Miriam Baltresca

    by  • 16 de September de 2015 • AGENDA • 0 Comments

    Era noite de 17 de setembro de 2011, Bruna que dias antes havia pedido demissão de um emprego promissor para ir provavelmente a África em um trabalho humanitário, estava naquela noite em um Shopping com sua mãe. Na saída, ambas foram atropeladas. Miriam morreu na hora e Bruna a caminho do hospital. Os sonhos de Bruna e Miriam foram interrompidos, mas o seu legado estava começando ali: o Movimento Não Foi Acidente.

    Diante da dor brutal e avassaladora, Rafael Baltresca resolveu abrir mão de sua privacidade e escancarar a sua dor. Nos dias seguintes estava na mídia escrita e televisiva. Conheceu pessoas como Dr. Mauricio Januzzi, advogado e Presidente da Comissão de Viação e Transporte da OAB-SP e que escreveu o projeto de lei do Movimento Não Foi Acidente. Conheceu Nilton Gurman que, perdeu um sobrinho Vitor Gurman atropelado e morto em julho do mesmo ano. Teve ao seu lado o tio Manuel Fernandes que desde a notícia da morte de mãe e irmã se tornou o companheiro das horas mais difíceis.

    Rafael criou o Movimento Não Foi Acidente, o nome foi escolhido pelo publicitário Ava Gambel que havia perdido um amigo na violência viária dois meses antes e através de amigos em comum começou o trabalho nas mídias sociais em nome do Movimento Não Foi Acidente.

    Na I Caminhada pela Vida em 15 de outubro, outras pessoas se juntaram a Rafael, como Maria Luiza Hausch que perdeu o filho Alex Hausch em 2009, vítima de um crime de trânsito. Maria Luiza é hoje da Equipe Não Foi Acidente.

    No dia anterior a Caminhada de 2011, as assinaturas eletrônicas para a petição pública sobre a mudança na lei que envolve álcool e direção começaram a ser colhidas.

    Além do Movimento “ Viva Vitão”, criado por familiares e amigos de Vitor Gurman morto em julho de 2011, juntou-se ao Movimento Não Foi Acidente, o “Movimento 20 de agosto – Homenagem a Luís e Eveline”. Lourdes Nunes e seus filhos criaram o “20 de Agosto”, ação que surgiu com a morte de seu filho e nora em 2001. Hoje Lourdes representa o Não Foi Acidente em Piracicaba – SP.

    Em 2012, conversando com Rafael, chegamos a conclusão de que os familiares de vítimas precisavam de um apoio e, eu Rosmary Mariano, perguntei a ele, iremos atender apenas familiares de vítimas de trânsito e Rafael prontamente respondeu que não, o grupo seria para qualquer pessoa enlutada, independentemente do tipo de perda. E assim criamos o “Acalmando Corações”. Hoje o “Grupo de Apoio à Pessoa em Luto Acalmando Corações”. Temos um  grupo de apoio virtual no Facebook e fazemos reuniões mensais na cidade de São Paulo.

    O Movimento delineou-se em busca de leis mais justas para o álcool e direção e apoio às pessoas em situação de luto. No entanto, em nosso trabalho de conscientização nas redes sociais, não ficamos apenas no álcool e direção, mas a imprudência como um todo, como o excesso de velocidade, o perigo do uso do celular ao volante, a necessidade de equipamentos de segurança como as cadeirinhas para as crianças e os cintos de segurança para os adultos.

    Em 2013, Rafael sentiu a necessidade de retomar a sua privacidade, o Movimento já estava conhecido por todo o Brasil e desde então, Rafael não deu mais entrevistas.

    Em 2014, o primeiro livro do Movimento Não Foi Acidente foi lançado, o livro é uma coletânea de contos com autores reconhecidos e representantes de várias regiões brasileiras. A frente deste trabalho estão Nilton Gurman  e Gladys Ajzenberg.

    Hoje, 4 anos da morte de Bruna e Miriam, o Projeto de Lei está para ser votado no Plenário da Câmara dos Deputados em Brasília.

    Miriam não mais toca seu violão nas missas e nem Bruna pode realizar seu sonho de trabalho humanitário na África, mas a morte de Bruna, de Miriam, bem como a de Vitor, de Luís, de Eveline, de Alex e de tantos outros não foram em vão. O Movimento Não Foi Acidente existe hoje para que possamos evitar que outras pessoas passem por perdas semelhantes.

     

     

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    Pedagoga Especializada em Surdez e Psicoeducadora especializada em Teoria, Pesquisa e Intervenção em Luto.

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